sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Entregar- se



''- Não sei do que está falando.
- Claro que sabe. Estou falando de um amor que estou descobrindo agora e fazendo o possível para destrui-lo antes que se manifeste. Gostaria que o recebesse, é o pouco que tenho de mim mesmo, mas que não possuo...

[...] Diz um poeta árabe de sua terra, Khalil Gibran:' é bom dar quando alguém pede, mas é melhor ainda poder entregar tudo a quem nada pediu'.

' e existe alguma coisa que se possa guardar? Tudo o que possuímos, um dia será dado. As árvores dão para continuar a viver, pois guardar é colocar um fim em suas existências.'

' E o maior mérito não é daquele que oferece, mas do que recebe sem se sentir devedor. O homem dá pouco quando dispões apenas dos bens materiais que possui; mas dá muito quando entrega a si mesmo. ' "

Paulo Coelho, A bruxa de Portobello.













fotos por: wiissa

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Fotos: Megan Cullen




   ''Por alguma razão inexplicável, apesar de todos os cacos de vidro o coração dela ainda prefere andar descalço pela vida.'' 




















domingo, 2 de agosto de 2015

De Conto Em Conto




Eu já havia percebido seus olhos promíscuos ao lhe fitar, era um pecado irresistível, mas quão errado é desejar e ser desejada? Isso é tão normal, porque as coisas ficam tão diferentes quando se trata de um padre? E o que da na cabeça dessa sociedade para impor regras que vão contra as próprias leis naturais de um ser humano?

Ela já beirava os Trinta, e talvez fosse bonita, poderia muito bem a descrever aqui e melhorar sua visualização, no entanto, (qual a graça nisso?) Prefiro que tenha a liberdade de vê-la como preferir, e imagino que agora já esteja formando em sua mente uma imagem, isso é muito excitante, vou lhe ajudar com as minúcias. No canto direito de sua boca ha uma pequena pintinha marrom que quase ninguém percebe, abaixo do seu queixo um pelinho insiste em nascer, ha algum tempo parou de puxa-lo, tão sutil e gracioso que por insistência ganhou sua afeição. E talvez a parte mais bonita de seu corpo seja essa linha que percorre verticalmente suas costas até o bumbum, é sem duvidas um traço sublime desenhado a mão em um momento de êxtase.

Todavia não perderei muito tempo nisso, porque o que realmente importa nessa história esta a algumas linhas abaixo. Mas antes lhes apresento Vicente. Imagine-o como um jovem e charmoso padre sem nenhuma virtude, além é claro da dissimulação e hipocrisia que com tanto afinco carrega consigo. Vicente é o padre capelão da escola católica onde estudo. Já me encontro no ultimo ano, a um passo de me livrar de tudo isso, consigo até respirar meus ares de liberdade, é até um tanto insano dizer isso, pois mesmo estando aqui, nunca fui assim tão presa, sempre achava minhas formas de cabular aula e matar tempo por ai. E foi em um desses dias em que acordo sem querer nada com a vida, e decido que a turma não contará com minha presença, que vi algo, digamos, interessante. Caminhando com um pequeno romance de Agatha Christie em mãos, a procura de um lugar tranquilo para passar horas tentando (em vão) desvendar crimes antes de Poirot, porque tudo nessa época da minha vida é 76% mais interessante que a sala de aula.

Dirijo-me a um grande galpão cheio de moveis e coisas velhas jogadas guardadas, um pouco afastado do ressinto estudantil, conhecia bem o local pra saber que ninguém costumava ir ali, e foi por saber disso que me assustei ao ouvir barulho humano vindo de seu interior, me aproximei com cuidado e pela pequena fresta entre duas tábuas mirei a vasta escuridão, só precisei de alguns segundos para minha visão se acostumar com a pouca luz, confesso que não me surpreendi ao ver o padre Vicente e nossa professora de educação física aos amassos ali dentro, me parecia tão obvio que eu até me insultei por não ter pensado nisso antes ( o padre é um safado fingido e Beatriz uma tarada) era tão claro que os dois tinham um caso, de qualquer forma toda aquela cena me interessou mais que o livro, fiquei ali parada olhando ele puxá-la contra seu quadril enquanto lhe arrancava os beiços, seguiam um compasso frenético entre beijos e apertos, acariciava com a língua seus lábios enquanto a mão sem nenhum pudor ou resistência descia por suas cochas, lhe apertava a bunda, percorria a barriga e segurava com delicadeza seus pequenos, porém firmes, seios. Seus olhos eram como pequenos vales da perdição, e os dois adentravam um ao outro. Retirou a fina blusa que vestia a insaciável professorinha, em seguida seu top de malha, seus belos seios foram beijados, ou melhor, abocanhados, ela se contorcia de desejo e pecado, acariciava o quinto membro dele, que já rijo latejava, estimulou-o enquanto era mamada, já explodiam de desejo quando com os dois braços ele a pôs sobre algum móvel velho tirou o resto das roupas dela. Enquanto eu do lado de fora, toda úmida, observava tudo com um interesse absurdo. Ajoelhado foi beijando seus seios, barriga e virilha à medida que abria suas pernas e as colocava sobre seus ombros, osculou o sexo dela, que solto um leve gemido, com a língua que por tantas vezes emitiu sermões, Ele agora imprimia prazer, e eventualmente era esse o seu melhor uso. A pobre Beatriz se contorcia louca de excitação (por favor, tire a mão do short!). A cena a seguir revela com nitidez o ímpeto do prazer, ele fricciona sua língua rígida sobre a boceta dela, intensamente, e a um estante antes do clímax ele a preenche vigorosamente, ecoa um som agudo, solto sem intenção, que logo é abafado pela mão do sacerdote. Continua dentro dela movimentando-se deliciosamente seu pênis na cavidade encharcada da professora. Ao observar me empolgo, deixo o livro cair sobre uma superfície metálica, o que faz um barulho absurdo, sou percebida e com agilidade fujo dali ao passo que de mim escorre pela perna o liquido viscoso da perversão.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Acorda Julia! F I N A L

                 Macabre

-Xerife Bill!!!

-Achamos à desgraçada.

-E quanto ao marcos?

-O chumbo atravessou o estomago do infeliz.

-Desgraçada... O cabo Marcos mudou-se para a delegacia não fazia oito meses.

-O que eu faço agora xerife?

-Algeme as duas e vamos interroga-las
                                                                       . . .
     

Acordo. Abro um olho sem fazer muito alarde, sinto algo me apertando a mão, algo gelado não sei bem, pareço estar em uma estrutura de madeira velha e cheia de traças, sinto um leve cheiro de madeira podre. Abro o outro olho, no canto da sala vejo dois homens discutindo, ao meu lado reconheço Adelaide algemada a um armário. Um dos homens levanta enfurecido e me da um soco. Apago novamente.

                                                                       . . .

-Acorda sua vadia.

-Acalme-se Pedro logo os detetives chegaram aqui e não gostarão que alguém tenha agredido as suspeitas.

-Esses porcos ainda se incomodam com direitos humanos Bill?

-continuam a discussão-
                                                                     . . .

Enquanto eles discutem eu chego mais próxima ao armário onde Adelaide está algemada, vejo algo familiar, lembro-me das aulas de carpintaria da 8° série e de como um garoto tinha acertado o professor com uma pistola de prego pneumática, felizmente eles haviam feito reparos na cabana e a pistola ainda estava ligada ao compressor de ar, sem pensar duas vezes a empunho e disparo contra eles, varias vezes até que a pistola fica sem pregos, vejo-os sangrarem no chão, me aproximo o máximo que a algema na minha outra mão permite, no bolso de um deles encontro uma chave, desprendo-me da algema, olho para Adelaide, tão frágil, tão fraca. Começo a ter alucinações, não são alucinações, são lembranças, eu não havia ido dormir junto a Adelaide, lembro-me daquela sensação, enquanto eu empurrava um fragmento de vidro contra o pescoço de Amanda. Ah Amanda, foi uma boa amiga, sorrio com as lembranças, aproveitei-me da briga entre os rapazes para deliciar-me com uma dança frenética entre a insanidade e o prazer, olhei pela janela, aqueles policiais atirando contra um dos garotos, um outro revoltado correu para se vingar e foi alvejado também. Eu sinto um orgasmo cada vez mais próximo, minhas pernas tremem, eu estou no chão, e então aquele garoto entra no quarto e me vê junto a Amanda, armado com uma faca, aquele que foi o ultimo “amor da vida” de Amanda vem em vão tentar vinga-la, não é páreo para minha necessidade de sangue, e mais um entra para minha infâmia lista. Acaba o espasmo de lembranças e recobro minha insana sanidade olho para Adelaide vejo o cenário... Dou uma saída e ao voltar trago a faca comigo, aquela faca que uma vez provou meu sangue agora seria objeto principal do meu circo do prazer, enterro a faca no peito de Adelaide, ela da um suspiro impagável, aqueles olhos apavorados olhando para mim, sinto as pernas tremerem novamente, estou encharcada, - ''isso esta cada vez melhor '' .Adelaide agora estática contempla seu papel fundamental diante do cenário que com cuidado criei. O corpo de um homem sob o dela, sua mão sob a faca.

                                                                   . . .
   

-O valente xerife conseguiu para-la no ultimo suspiro.

-Algum sobrevivente?

-Nenhum senhor.
                                                                    . . .

Do topo da colina contemplo várias sirenes naquela paisagem deslumbrante que há pouco tempo serviu de Anfitriã para o mais delicioso espetáculo. Dou as costas e continuo rumando ao amanhã.



-Viva a minha Ascensão Caótica.




Final recebido por e-mail de alguém que se auto intitula: Jumentinho azul.



                                        Meus mais sinceros agradecimentos.

Acorda Julia! - parte três



''Morrer é tão natural quanto nascer. Mas todos têm medo. Apavoram-se. Debilmente, tentam aplacar seu toque''.

                     

Sempre me perguntei qual sensação sentimos pouco antes de morrer, imaginava algo único, afinal só se vai uma vez, no entanto, agora deitada aqui sobre meu sangue neste chão frio, sinto apenas ódio e dor. Alguém sem nenhum motivo aparente, tirou a vida de quase todo mundo que veio até este lugar, incluindo Amanda, minha melhor amiga, esse mostro, ao qual eliminei com minhas próprias mãos, não representa mais perigo, não me sinto melhor por isso, na verdade a partir deste momento sou igual a ele, '' uma assassina'' isto é aterrador.
Ponho-me de pé e caminho sobre o solo gélido, sinto cada pequena sensação que o ambiente gera o vento, os relevos de onde piso, os sons que ecoam da mata e talvez algo mais, tão viva como nunca estive.
Chego ao local onde ficam as piscinas e encontro os primeiros corpos, uma garota e dois rapazes amarrados juntos no chão, uma delas com um corte profundo no rosto, todos com furos de balas no centro da testa, na piscina outra garota boia envolta em seu sangue, mais adiante outro cadáver caído, como quem lutou em vão, quase totalmente nu me fita.
Como um homem seria capaz de tal atrocidade? Não, nenhum homem seria capaz de tudo isso, não sozinho, ''meu Deus!'', corro os olhos em todas as possíveis direções, '' não é possível! Esse pesadelo nunca acaba''. Em choque fico parada por tempo demais, ouço vozes vindas da casa.
- Cara vem cá ver, achei ele!
- Puta merda! Mataram o imbecil.
- E ainda temos duas vadias vivas por ai, Ei alguém vai ter que falar com a mãe dele Bill.
- Isso agente resolve depois, vamos avisar o Pedro, e caçar as vagabundas.
- E os corpos?
- Depois! Puta que pariu você é burro mesmo!...
Coloco-me entre os mortos na esperança de não ser vista, passam por mim dois grandes homens, um deles reconheço como o caseiro, rumam em direção ao levantado de madeira nos fundos.
''Adelaide está viva'', tenho que busca-la e sair dali, entro de novo na casa e caminho em direção ao banheiro em que a deixei, transporto-me até lá, mas nada, não está ali, uma mão aperta meu ombro cortado, olho pra traz assustada.
- Eles acabaram de sair. A voz diz. Levaram as chaves dos carros, estamos pressas aqui. Ela chora.
- Calma Adelaide estou tão feliz que também esteja viva! Abraço-a.
- Ainda tem mas duas garotas. Ela chora mais ainda.
- Como? Aonde?
- Na cabana do caseiro, lá nos fundos, Bianca e Marcela.
- Bem, nós vamos busca-las.
- Você está maluca?
- Nós só não temos mais escolhas, pelo menos nenhuma tão digna.
- Tem uma arma aqui, na sala, vi logo que cheguei, não sei se tem balas.
- Sabe atirar?
- Não, mas como você disse, não temos escolhas.
Encontro uma espingarda na sala pendurada sobre a parede, sem balas, com ajuda reviro as gavetas, os armários...
- Isso aqui se parece com balas? Pergunta-me.
- Sim são balas, só tem essas duas?
- Quatro.
- Tem pelo menos três homens lá fora, e nenhuma de nós sabe atirar, mas eu jogava vídeo game.
- É melhor que nada. Rimos.
- Esperamos ou vamos até lá?
- Odeio esperar.
- Eu também.
Antes de sair, dessa vez, troco às roupas molhadas. Nem temos um plano, nunca fui boa em cumpri-los, entretanto, nasci com um talento que eu chamo de '' saber dançar conforme a musica''. Não sei se ela tem o mesmo, contudo, é burra como eu e vai junto, com um pé de cabra em mãos.
Na calada da noite marchamos passos mansos, mal sinto meu braço que ainda arde por conta da adrenalina que corre em mim, seguida por Adelaide me aproximo do casebre, caminho por detrás das árvores, cautelosamente. Então avisto o primeiro torço tétrico, parado em frente à penosa construção, despercebida miro seu corpo robusto, respiro fundo apoio à arma em meu ombro bom e me preparo pra o solavanco, '' pronta?'' um estouro, sou jogado pra traz.
- Na mosca no meio do estomago. Adelaide fala enquanto me ajuda a levantar. Vem vamos sair daqui!
Corremos, homens gritam, olho sobre o ombro, carrego a espingarda novamente, um deles corre em nosso encalço, adentro o arvoredo. Mas cadê a garota? Olho outra vez a retaguarda, e vejo-a lutando para se livrar das garras do ferino sórdido, Tiros em minha direção, ela berra por ajuda, enquanto é sufocada, luta, desesperada não sei o que fazer, por impulso, ignorando os projéteis tento chegar até ela, sou atingida em cheio na coxa, mais uma vez caio de ''sangue quente'' ainda me ponho de pé, empunho minha amiga e miro meu alvo mais fácil. Outro estouro, outra queda, só que dessa vez ao tentar me levantar recebo uma pancada contra a cabeça, perco a consciência.


                                                                  ...


A quarta é a ultima juro.

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Minúcias







Ela gosta de detalhes, é observadora. Quando ela está triste, se isola no quarto e não quer saber de ninguém. Ah, ela nunca sabe reagir quando recebe elogios. Ela não é de demostrar sem antes saber se é recíproco. uns e outros dizem que ela é fria, mas se soubessem quanto amor ela tem dentro daquele coração.


                                                     Alexandre Guimarães



































 
                                                       fotos por: celeste ortiz