-Xerife Bill!!!
-Achamos à desgraçada.
-E quanto ao marcos?
-O chumbo atravessou o estomago do infeliz.
-Desgraçada... O cabo Marcos mudou-se para a delegacia não fazia oito meses.
-O que eu faço agora xerife?
-Algeme as duas e vamos interroga-las
. . .
Acordo. Abro um olho sem fazer muito alarde, sinto algo me apertando a mão, algo gelado não sei bem, pareço estar em uma estrutura de madeira velha e cheia de traças, sinto um leve cheiro de madeira podre. Abro o outro olho, no canto da sala vejo dois homens discutindo, ao meu lado reconheço Adelaide algemada a um armário. Um dos homens levanta enfurecido e me da um soco. Apago novamente.
. . .
-Acorda sua vadia.
-Acalme-se Pedro logo os detetives chegaram aqui e não gostarão que alguém tenha agredido as suspeitas.
-Esses porcos ainda se incomodam com direitos humanos Bill?
-continuam a discussão-
. . .
Enquanto eles discutem eu chego mais próxima ao armário onde Adelaide está algemada, vejo algo familiar, lembro-me das aulas de carpintaria da 8° série e de como um garoto tinha acertado o professor com uma pistola de prego pneumática, felizmente eles haviam feito reparos na cabana e a pistola ainda estava ligada ao compressor de ar, sem pensar duas vezes a empunho e disparo contra eles, varias vezes até que a pistola fica sem pregos, vejo-os sangrarem no chão, me aproximo o máximo que a algema na minha outra mão permite, no bolso de um deles encontro uma chave, desprendo-me da algema, olho para Adelaide, tão frágil, tão fraca. Começo a ter alucinações, não são alucinações, são lembranças, eu não havia ido dormir junto a Adelaide, lembro-me daquela sensação, enquanto eu empurrava um fragmento de vidro contra o pescoço de Amanda. Ah Amanda, foi uma boa amiga, sorrio com as lembranças, aproveitei-me da briga entre os rapazes para deliciar-me com uma dança frenética entre a insanidade e o prazer, olhei pela janela, aqueles policiais atirando contra um dos garotos, um outro revoltado correu para se vingar e foi alvejado também. Eu sinto um orgasmo cada vez mais próximo, minhas pernas tremem, eu estou no chão, e então aquele garoto entra no quarto e me vê junto a Amanda, armado com uma faca, aquele que foi o ultimo “amor da vida” de Amanda vem em vão tentar vinga-la, não é páreo para minha necessidade de sangue, e mais um entra para minha infâmia lista. Acaba o espasmo de lembranças e recobro minha insana sanidade olho para Adelaide vejo o cenário... Dou uma saída e ao voltar trago a faca comigo, aquela faca que uma vez provou meu sangue agora seria objeto principal do meu circo do prazer, enterro a faca no peito de Adelaide, ela da um suspiro impagável, aqueles olhos apavorados olhando para mim, sinto as pernas tremerem novamente, estou encharcada, - ''isso esta cada vez melhor '' .Adelaide agora estática contempla seu papel fundamental diante do cenário que com cuidado criei. O corpo de um homem sob o dela, sua mão sob a faca.
. . .
-O valente xerife conseguiu para-la no ultimo suspiro.
-Algum sobrevivente?
-Nenhum senhor.
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Do topo da colina contemplo várias sirenes naquela paisagem deslumbrante que há pouco tempo serviu de Anfitriã para o mais delicioso espetáculo. Dou as costas e continuo rumando ao amanhã.
-Viva a minha Ascensão Caótica.
Final recebido por e-mail de alguém que se auto intitula: Jumentinho azul.
Meus mais sinceros agradecimentos.