quinta-feira, 18 de junho de 2015

Acorda Julia! - parte dois.



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- Acorda Julia! Eu nem acredito que você ainda dorme, estamos atrasadas, tu não tem jeito mesmo né?

Irritada aquela voz que eu sabia a quem pertencia, mas mal conseguia ver, balbuciava freneticamente.

- Ei calma, já ta tudo arrumado, eu só preciso escovar os dentes e trocar de roupa, coisa rápida, e então agente vai, fica tranquila. Falei meio grogue.

-Tranquila? Era para tu está na porta me esperando, passei meia hora buzinando e nada, vamos chegar lá depois de todo mundo.

-Amanda da um tempo vai, não é o fim do mundo, a vida de ninguém está dependendo disso, podemos chegar a qualquer hora, ninguém vai demitir a gente...

Aquela garota enraivada tinha suas razões, no entanto eu não adquirir o hábito de acorda cedo, muito menos em feriados.

Entramos no carro após vinte minutos, ela ainda reclamava. Eu mal ouvia todo aquele discurso solene, nem queria ir naquela viajem, muito menos gostava daquela dúzia de imbecis que ia, porém estava cumprindo com meu dever de boa amiga, perdendo toda a minha folga, para Amanda ganhar três dias junto do rapaz de quem gostava.

Quatro horas depois e chegamos a um lugar longe de qualquer civilização inteligente, sem sinal de internet nem de celular, só eu e aquelas pessoas, que sugavam álcool feito esponja e coitavam como coelhos, rindo dessa idiotice fui apresentada a eles.

Aquele lugar todo tinha um ar pesado e agoniante, era difícil explicar aquela sensação, de fato era ruim, um mau pressentimento me dominava. Corri os olhos pelo entorno, era uma clareira enorme, com uma grande casa amarela aparentemente do século passado no centro, ao lado duas piscinas retangulares, árvores por todo canto. Entretanto um casebre no fundo daquele lugar, quase dentro da mata, foi oque mais prendeu minha atenção. Era um pequeno levantado de madeira.

O caseiro era um homem simpático e bem humorado de meia idade, vi ele encostado ao cercado enquanto conversava, ria e gesticulava com outro homem, acenou para mim com um belo Sorriso, retribui o aceno enquanto caminhava em direção ao carro, já estava anoitecendo e antes de ficar escuro demais iria buscar uns cobertores q havia esquecido no banco traseiro. Coloquei a chave na fechadura da porta do motorista, puxei de volta, e por ali com dificuldade agarrei os cobertores, destravei e travei as portas de novo para me certificar, então bati a porta e "putz!" Esqueci a droga da chave dentro do carro, tentei por alguns minutos recupera-la em vão, desistir e voltei o sol já dizia adeus, resolveríamos isso depois.

Naquela primeira noite bebi e fingir ser sociável, já era tarde quando meio tonta decide ir dormi, fui acompanhada por uma moça que mal conseguia andar, ajudei a pobre a se deitar e logo em seguida apaguei.

Acordei pouco depois com um barulho estranho "gritos", olhei o relógio, e os ponteiros marcavam exatamente três horas, " ainda acordados?" levantei e caminhei até a janela para observar todo aquele alvoroçamento. Contudo vi algo muito diferente do esperado, abafei o grito que me fugiu com a mão, me abaixei torcendo pra não ter sido vista “eu estava sonhando, acorda Julia!".

No último quarto daquele gigantesco corredor, Adelaide a garota bêbada, ainda dormia, corri até la e tentei acorda- lá, nem se moveu, com muito esforço a puxei ate o banheiro e a coloquei dentro de uma enorme banheira de porcelana branca, pensei em trancar a porta, mas imaginei q chamaria atenção, se olhado da porta o local pareceria vazio, essa garota era uma pedra dormindo se continuasse assim acordaria viva, joguei dois cobertores sobre ela e um travesseiro abaixo de sua cabeça, me pareceu o bastante, arrumei as camas, ouvi mais alguns gritos, dois tiros, e um discreto rangido de porta. Atrás de mim uma janela de madeira parecia ser minha única saída.

Cai de pé em pequenas pedrinhas de brita, encostei com cuidado a janela por fora, esperei por alguns segundos e então corri rumando à mata escura e fria, que agora me parecia segura. Um sereno fraco e gelado caia do céu na copa das árvores, escorria por suas folhas e pingava sobre meus ombros, o chão sobre meus pés era lamacento e escorregadio, tive dificuldades em caminhar naquele terreno. Estava descalça vestida apenas uma calça de moletom e uma blusa fina, ambas encharcadas, o frio era quase insuportável, contudo a minha maior preocupação era não saber oque fazer, parecia uma covarde fugindo de tudo, talvez ainda estivesse alguém vivo precisando de ajuda. Era uma ideia burra, a pior burrice da minha vida, mas eu tinha que voltar lá, afinal eu era uma mulher ou um rato?

Continua. . .






Sim eu escrevi uma terceira parte e talvez uma quarta. ·.









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