quarta-feira, 10 de junho de 2015

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                钴蓝群青里的小时光、LIFE

              


Eu devia ter uns dez anos, e ja enfrentava aquela rotina pesada de ir a escola pela manhã e passar longas tardes solitárias na enorme casa da minha vó, que se ocupava todas aquelas horas dormindo com o velho dela. Eu nunca entrava no quarto deles, havia tentado uma vez e por ventura me arrependido muito ( não quero falar sobre isso).
Era a quarta série acho, (e se você prestar bastante atenção em mim vai perceber que eu nunca tenho certeza de nada). E minha professora, dela eu lembro bem, era quase um metro e cinquenta de mulher, um rostinho pouco amigável e um tanto desproporcional, mas se você superasse a barreira da aparência veria que por detrás daquela pobre criaturinha horrenda, havia uma sujeitinha formidável, sério mesmo, só um defeito, passar tarefas que eu nunca ficava lá muito afim de fazer.
Uma vez nos pediu pra fazer um poema ( q droga!) Não é que eu não tivesse a capacidade de escrever um, eu tinha, eu sabia disso, entretanto eu queria fazer coisas mais bacanas e interessantes ( como pintar copinhos descartáveis de café com pinceis de hidro cor). E não precisava escrever um porque ja havia sido escrito, varios até, eu só precisava escolher, chegava a doer de tão boa q era a idéia. Minha prima q por ali morou antes de mim, deixou pra traz varias agendinhas repletas de escritos, sabia da existência delas, pq tanto tempo livre me possibilitou "malinar" em cada cantinho obscuro daquela casa. Selecionei um com bastante palavras difíceis q rimavam, tão lindo, era perfeito.
No outro dia pela manhã eu tentava nao rir malignamente por ser tão esperta, e fiz questão de ler na frente, puta insensatez! Não precisei recitar nem duas estrofes, para que minha professora começa-se a me olhar assustada, pasma e sem reação enquanto a sala ria, e eu continuava lendo, até ser interrompida.
- Gabriela foi vc q escreveu isso?
- claro q foi. Com a cara mais sínica q consigo fazer falei sem pestanejar.
- ok, se foi vc escreva outro pra mim.
- m... Mas ?
- sem mas e depois quero conversar com vc no final da aula.
Porcaria! Eu tava fudida, mesmo assim escrevi um poeminha, q ficou uma merda, e rimava palavras como canto e encanto, saudade e felicidade... No final da aula ela me explicou q o poema orgulhosamente lido, era de um conteúdo extremamente adulto e impróprio, não pude deixar de sentir ódio daquela cretina da minha prima, so tinha uns doze anos e já escrevia putaria rimada. Confessei o meu erro ( só insisto em mentiras q me trazem vantagens, não era o caso).
Voltei pra casa determinada a entregar aqueles caderninhos de sacanagem bem escrita pra minha vó, e acabar com a fama de boa moça daquela imoral, no entanto agora que eu sabia do que realmente se tratavam, decide guardar com mais cuidado, bela idéia :), tempos depois me foram úteis

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